29/09/2013


Fuma o último cigarro da noite no escuto da janela. Misturando o cheiro a nicotina com a chuva. A chuva que ensopa as toalhas estendidas na corda. A chuva que o apressa, e que por fim põe fim ao prazer do vicio. 
Olha as luzes molhadas do outro lado da rua. O silêncio que o Outono repõe. As casas cheias que o Verão desnudou um dia. 
Senta-se no sofá a desenhar. Uma transição um tanto cinematográfica. Sexy, se vista aos olhos dela. 
O quente fingido da sala. A luz das luzes, que secas lhe agilizam finos e rápidos. Os dedos de onde saem mulheres. Sobretudo mulheres. Os dedos que se sentam à noite,  no sofá da sala, para parir rostos duros e finos. Olhos grandes e acessos, tanto quanto as luzes que trouxe da janela. 

Ela senta-se ao lado. Não sabe desenhar, rabiscar, nem tão pouco imaginar mulheres.
Escreve-o. A si e à cena cinematográfica. Sexy, aos olhos dela.
Ela não fuma, não gosta do escuro. Não se assoma à janela nem vê o Verão a esquivar-se na chuva de Outono. 
Senta-se na sala, e escreve-o enquanto o observa. 

Na paz de uma noite fria que do outro lado da rua é mais clara. No escuro, que a luz fingida da sala interrompe. 
Na calma... de quem fumou o último cigarro do dia. De quem escreve aquilo que vê... vendo aquilo que quer ver...

Sem comentários:

Enviar um comentário